novembro 18, 2014

diamante em bruto

Quanto tempo perdemos a perder tempo? Quanto tempo passamos ao lado de alguém que, sem sabermos, só precisa de olhar para nós uma vez para mudar tudo?
Basta cruzarmos um olhar e todo o tempo do mundo parece pouco. Conhecem a sensação? Aquela de que aquilo esteve sempre prestes a acontecer, mas que - como nos filmes, em que aquele desejado primeiro beijo é sempre interrompido - nunca chegou a acontecer realmente. É como se tivesse estado lá aquele tempo todo e nós nunca parámos para reparar. 
Afinal, andei com um diamante no meu bolso e andava por aí solta como se não guardasse nenhuma preciosidade comigo. 
Acho que esse é o segredo da vida: temos os bolsos cheios de diamantes em bruto. E há um tempo certo para todos eles serem polidos. Tudo acontece por uma razão e, vá-se lá saber porquê, nem sempre tem de fazer sentido. Só no cinema. 

novembro 14, 2014

If I stay

Se eu ficar, convida-me a sair. Se eu ficar, manda-me embora e se eu não obedecer, puxa-me pelos cabelos. Arrasta-me, se for preciso.
Se eu ficar, grita até eu me sentir a mais. Se eu ficar, finge que ficas sem ar por nem conseguires respirar. Sussurra que o ambiente está pesado. 
Se eu ficar, mata-me com o olhar. 
Na verdade, se eu ficar, faz o que quiseres. Só não me deixes estar. Porque eu quero tanto ficar, que se ficasse nunca iria recuperar o resto de coração que ainda tenho de recuperar. 
E, sinceramente, não me apetece perder já os pedaços que, finalmente, consegui encontrar. 
Desculpem o título, mas ainda não vi o filme e já me inspirou.

novembro 11, 2014

só porque sim


Posso não saber o que te aflige, nem o que te acalma. Na verdade, não faço mesmo ideia acerca do que fazes da tua vida. 
Não sei se acordas cedo ou se te deixas enroscar nos lençóis só por mais 'cinco' minutos. Nem desconfio de como gostas das torradas ou do café pela manhã. 
Sei a cor dos teus olhos, a forma dos teus lábios e algumas das tuas feições. Talvez conheça mais uma ou outra para além das que mostras ao mundo, todos os dias.
Conheço aqueles teus jeitos no cabelo e gostava de conhecer melhor o toque da tua pele. 
Na verdade, não te conheço. Mas sei quem és, como és e quem queres ser. Talvez te conheça sem saber, ou saiba de cor pedaços teus sem te conhecer.
Provavelmente quem não me conhece és tu. Não me considero misteriosa, mas tudo em mim é quase segredo. Ninguém o desvenda. E quem o faz, fá-lo sem se aperceber.
Há um lado que eu mostro ao mundo e às caras com quem me cruzo. Há outro lado que mostro aos que se chegam mais perto. Depois, vais ver que não existe mais nada debaixo destes véus até ao tecto.
Esse é o meu misterioso lado, o que está em branco. É o meu melhor lado porque espera por ti para ser criado. És artista com as tuas mil e uma telas, não vais resistir ao branco virgem de uma parede que grita por ser pintada.